Copa do Mundo: Nova York e Nova Jersey abrem investigação contra Fifa por altos preços de ingressos
Trabalhador instala novo gramado do MetLife Stadium, em Nova Jersey, estádio que receberá jogos da Copa do Mundo de 2026, incluindo a final Angelina Katsanis/...
Trabalhador instala novo gramado do MetLife Stadium, em Nova Jersey, estádio que receberá jogos da Copa do Mundo de 2026, incluindo a final Angelina Katsanis/Reuters Os procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey anunciaram, nesta quarta-feira (27), a abertura de uma investigação "sobre as práticas de venda de ingressos da Fifa" para a Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho. Em um comunicado conjunto, a Procuradora-Geral de Nova York, Letitia James, e a Procuradora-Geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, afirmaram que os preços dos ingressos para as partidas da Copa do Mundo de 2026 "ultrapassaram em muito os preços de qualquer edição anterior da Copa do Mundo". "Reportagens recentes indicam que os torcedores podem ter sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos que compraram e que as declarações públicas da Fifa, assim como o processo de venda de ingressos, podem ter contribuído para os aumentos exorbitantes de preços", afirmaram os procuradores-gerais em um comunicado. A Fifa implantou pela primeira nesta Copa vez a política de "preços dinâmicos" para ajustar os valores dos ingressos com base na demanda. Agora no g1 Reclamações de torcedores e alegações de que alguns pagaram por ingressos para um determinado setor do estádio, mas receberam assentos menos desejáveis, chamaram a atenção de autoridades estaduais. Quando questionado sobre o motivo do aumento dos preços dos ingressos desde o início das vendas em outubro, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a entidade em vários pontos, apontando para a oferta limitada de ingressos para um evento com demanda mundial. Os procuradores-gerais confirmaram que estão buscando informações sobre a estrutura geral de preços do evento, a estrutura de preços por setor, a localização dos assentos e outros detalhes relacionados às oito partidas da Copa do Mundo programadas para serem disputadas no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. As quartas de final, a semifinal e a final, em 19 de julho, serão realizadas no MetLife Stadium. "Os nova-iorquinos esperam há anos para que a Copa do Mundo chegue à sua cidade e merecem uma chance justa de conseguir ingressos a preços acessíveis", disse James, em um comunicado. "Ninguém deve ser manipulado a pagar preços exorbitantes por ingressos, e os torcedores devem poder confiar que os ingressos que compraram serão os que receberão." A investigação busca acalmar as preocupações dos torcedores que compraram — ou esperam ter a oportunidade de comprar — ingressos, mas se sentem enganados em relação ao produto final. "A FIFA transformou a compra de ingressos para a Copa do Mundo em um verdadeiro labirinto de confusão, falsa escassez e preços absurdamente altos — tudo às custas dos consumidores e dos trabalhadores de Nova Jersey", disse Davenport em comunicado. James afirmou que os órgãos de fiscalização consultaram autoridades governamentais em busca de orientação para resolver as disputas de torcedores que alegam ter escolhido um assento em uma das quatro "categorias" disponíveis no MetLife Stadium, apenas para receberem assentos mais distantes do campo. A Fifa contribuiu para a confusão em relação à localização dos assentos com a introdução tardia de uma opção de ingresso premium, ou "Categoria Frente", após a venda inicial dos ingressos. A Fifa afirma também que o sistema de preço dinâmico segue o padrão do mercado americano e que reinveste 90% da arrecadação da Copa no desenvolvimento do futebol mundial. Fachada do MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, que receberá jogos da Copa do Mundo de 2026, incluindo a final Angelina Katsanis/Reuters Transporte inflacionado Os torcedores ainda enfrentam outros preços inflacionados. O exemplo mais polêmico está no transporte público. É simples ir do Centro de Nova York até o MetLife Stadium, que vai receber oito jogos – entre eles, a estreia do Brasil e a final no dia 19 de julho. A melhor opção é ir de trem, uma viagem rápida de cerca de 15 minutos. Normalmente, o bilhete de ida e volta custa R$ 64. O problema é que essa mesma viagem durante a Copa do Mundo vai custar oito vezes mais: US$ 105, o equivalente a cerca de R$ 525 só para poder ir para o jogo. O estádio é todo cercado por estradas, o que torna inviável e perigoso caminhar até a entrada. Também vai ser possível ir de ônibus por cerca de R$ 100, mas apenas 18 mil passagens por jogo estarão disponíveis nesse serviço.