Paraguai: Senado rejeita pedido de Santiago Peña para adiar julgamento de impeachment e retoma processo

Como é o escândalo financeiro que derrubou o presidente do Paraguai e gerou mais protestos O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presi...

Paraguai: Senado rejeita pedido de Santiago Peña para adiar julgamento de impeachment e retoma processo
Paraguai: Senado rejeita pedido de Santiago Peña para adiar julgamento de impeachment e retoma processo (Foto: Reprodução)


Como é o escândalo financeiro que derrubou o presidente do Paraguai e gerou mais protestos O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente do país, Santiago Peña, para que adiassem o julgamento do processo de impeachment contra o presidente. Peña deveria apresentar sua defesa em uma sessão no Senado iniciada nesta sexta, mas pediu mais tempo para preparar argumentos. Em votação na sessão, os senadores rejeitaram o pedido e retomarão o processo de impeachment ainda nesta sexta. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ➡️ Peña está no centro da crise bancária que tomou o Paraguai. Ele é acusado de ter sido conivente com a quebra do banco digital ueno, que encerrou atividades e deixou mais de um terço da população paraguaia sem acesso às suas contas bancárias. Pressionado pela oposição e isolado por seus próprios aliados, o presidente apresentou renúncia na quinta-feira (5), ainda não aceita pelo Congresso. O processo de impeachment, aberto na Câmara dos Deputados também na quinta, corre em paralelo à carta de renúncia apresentada por Peña — a renúncia não é automática, e cabe ao Congresso aceitá-la ou rejeitá-la. Já a sessão iniciada nesta sexta é dedicada à apresentação da defesa do presidente. Nesta manhã, no entanto, o presidente paraguaio pediu mais tempo para apresentar sua defesa. Peña solicitou 72 horas adicionais para ler a acusação e preparar seu argumento. Em votação, senadores rejeitaram em maioria ampla adiar o julgamento. O pleno registrou 39 votos contra o adiamento, três a favor e duas abstenções. Com o resultado, os senadores retomarão a sessão ainda nesta sexta, mas ainda não havia previsão, até a última atualização desta reportagem, da votação do impeachment, que afastaria Santiago Peña sem os privilégios concedidos a presidentes que terminam sem mandato normalmente. Cinco fases do impechment Vista geral do Congresso Nacional do Paraguai durante o julgamento de impeachment após a renúncia do presidente Santiago Peña em Assunção, em 6 de novembro de 2026. O presidente paraguaio Santiago Peña, que enfrenta um processo de impeachment em decorrência de um escândalo bancário que afetou milhões de pessoas, solicitou três dias adicionais para se preparar em 6 de novembro DANIEL DUARTE / AFP O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, havia afirmado na quinta-feira a jornalistas que não seria possível concluir o julgamento em apenas um dia. Segundo Núñez, o processo de impechament ocorrerá em cinco fases. A sessão desta sexta foi a segunda fase, e ainda não havia previsão para as outras três sessões. Depois da manifestação de Peña nesta sexta, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Na sequência, as partes terão a oportunidade de apresentar seus argumentos finais. Só então os 45 integrantes do Senado votarão o impeachment. Para afastar Peña definitivamente, serão necessários pelo menos 30 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos senadores. Se condenado, ele perderá o mandato e também deixará de ter direito à condição de senador vitalício. ➡️ No Paraguai, ex-presidentes que concluíram seus mandatos ou renunciaram ao cargo ganham o título de senador vitalício, o que garante imunidade parlamentar pelo resto da vida. Neste caso, no entanto, ex-líderes que sejam "condenados em julgamentos políticos" — caso do impeachment — terão esse direito revogado. Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a Presidência e deverá concluir o mandato, que termina em agosto de 2028. Se Peña for absolvido, preservará o cargo de senador. presidente Santiago Peña, a quem culpam pela crise desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas, em Assunção, Paraguai, 5 de novembro de 2026 REUTERS/Cesar Olmedo Crise política O processo de impeachment ocorre após a quebra do banco ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição fechou as portas na última terça-feira (3), depois que o Banco Central paraguaio iniciou sua liquidação por insuficiência de recursos para cobrir as obrigações financeiras. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025. Após o escândalo, parlamentares da oposição passaram a acusar o presidente por um suposto conflito de interesses, manipulação de regras e irregularidades envolvendo recursos previdenciários. A acusação também aponta que o Banco Central teria encoberto problemas financeiros da instituição. Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que apresentou renao cargo em 5 de novembro de 2026. REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo Renúncia x pedido de impeachment Na manhã desta quinta, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra Peña. Momentos depois, o presidente apresentou uma carta de renúncia em um vídeo, em que se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas". "Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse. Na sessão conjunta do Congresso que se seguiu, porém, foi colocado em votação o pedido de renúncia do presidente. A oposição defendia que o Congresso rejeitasse a renúncia e desse continuidade ao impeachment. Os parlamentares argumentavam que a saída voluntária permitiria a Peña assumir uma vaga de senador vitalício, com direito a foro privilegiado. O senador de oposição Líder Amarilla alegou que aceitar a renúncia poderia impedir que o presidente respondesse a eventuais acusações na Justiça. "Se aceitarmos esta renúncia, o que estamos fazendo é permitir que Santiago Peña obtenha foro parlamentar e que todo o dinheiro que foi roubado fique impune, porque a Promotoria não poderá apresentar acusações contra ele", disse Amarilla, em entrevista ao ABC Color. Já os governistas sustentavam que aceitar a saída do presidente seria a maneira mais rápida de encerrar a crise política e permitir a transferência de poder ao vice-presidente, Pedro Alliana. O grupo também afirmava que o Senado poderia analisar um eventual pedido de retirada do foro de Peña, caso a Promotoria solicitasse a medida. LEIA TAMBÉM: Da quebra de banco à renúncia do presidente: entenda o escândalo financeiro que abalou o Paraguai Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou ao cargo, é de direita ou esquerda? Entenda a posição política Ministério Público do Paraguai abre investigação contra presidente por suspeita de corrupção

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