Presidente do BC paraguaio renuncia após crise financeira no Ueno Bank

Vista aérea mostra a sede do Ueno Bank, em Assunção, no Paraguai. Reuters Uma crise envolvendo o banco digital Ueno, que tem cerca de 3 milhões de clientes no P...

Presidente do BC paraguaio renuncia após crise financeira no Ueno Bank
Presidente do BC paraguaio renuncia após crise financeira no Ueno Bank (Foto: Reprodução)


Vista aérea mostra a sede do Ueno Bank, em Assunção, no Paraguai. Reuters Uma crise envolvendo o banco digital Ueno, que tem cerca de 3 milhões de clientes no Paraguai, levou à renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do país, nesta terça-feira (3). Além disso, aumentou a pressão sobre o governo do presidente Santiago Peña. A instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco (que mede sua capacidade de pagamento) caiu para menos da metade do mínimo exigido. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Diante da situação, o Banco Central iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar possíveis impactos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público também pediu a abertura de uma investigação criminal sobre o caso e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno. Nos últimos meses, o banco já vinha sob maior fiscalização. Órgãos reguladores investigavam se o Ueno havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. O banco negava a operação. Agora no g1 O caso também trouxe desgaste para o governo de Peña e ameaça a reputação do Paraguai como um dos destinos emergentes da América do Sul para o capital estrangeiro, grande parte dele proveniente do Brasil. Foi nesse contexto que o presidente paraguaio pediu a renúncia de Carvallo. O chefe do BC comandou o próprio Ueno até agosto de 2023. Tanto ele quanto o Banco Central vinham sendo criticados por parlamentares pela supervisão da instituição. Peña também teve ligação com o grupo controlador do Ueno, do qual foi sócio até março de 2025. O Ueno administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Nesta terça, clientes foram a agências do banco, mas encontraram as portas fechadas. Entre eles estavam aposentados que recebem benefícios do governo por meio do Ueno. “Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.” Diante da crise, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para fazer pagamentos aos depositantes. O presidente paraguaio afirmou ainda que a medida deve assegurar a devolução de recursos públicos, incluindo valores mantidos pelo instituto de seguridade social IPS e por outros fundos públicos de previdência. 'Caso isolado' Segundo o Banco Central do Paraguai, o caso do Ueno é isolado e não indica problemas mais amplos no sistema financeiro do país. Peña também buscou afastar esse risco: “Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional.” O presidente paraguaio acrescentou que os responsáveis pelo caso “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”. Segundo o BC, a Superintendência de Bancos vai nomear auditores para verificar a situação dos ativos do Ueno. Saída do presidente do BC Carvallo afirmou que permanecerá no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise do Ueno. Ao anunciar a saída, ele disse que a decisão ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permitiria que a instituição e a Superintendência de Bancos trabalhassem sem as disputas políticas e a repercussão na imprensa. As críticas já haviam levado parlamentares a pedir a demissão da cúpula do BC, depois que eles rejeitaram um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto. O caso também teve reflexos nos mercados. As preocupações com o Ueno pressionaram os títulos em dólar do banco com vencimento em 2031 e os próprios títulos da dívida do Paraguai. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno passou rapidamente de uma fintech local de nicho a um banco de médio porte, em uma trajetória semelhante à de plataformas digitais como Monzo e Nubank. * Com informações da agência de notícias Reuters

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